Professor... um trabalho difícil

ANTES DE TUDO... UM EDUCADOR

Um professor de Karatedō deve ser antes de tudo um educador, deve ser um canal de conhecimentos e deve saber transmiti-los. Não é necessário, como normalmente se pensa, que seja um grande competidor ou que tenha um alto nível (Dan), pois a único benefício real que isso traz é uma boa propaganda para atrair mais pessoas que desconhecem o tema. O que deve ser levado em conta é que tenha uma grande capacidade para transmitir conhecimentos (que por suposto deve ter) de maneira clara e progressiva, com paciência, com dedicação, com metodologia, etc...

O professor também deve demonstrar qualidades físicas e humanas, pois o aluno involuntariamente tende a imitar o professor em muitos aspectos. Este último deve conhecer bem seus alunos e descobrir o que precisa verdadeiramente dar a cada um deles dentro do Karatedō. 

O professor deve manter um ambiente agradável no Dōjō que permita que o aluno se sinta relaxado e a vontade, porém isto dentro da disciplina que uma arte marcial deve sempre ter. Um bom professor deve idealizar suas aulas de forma amena, completa, levando em conta todos os aspectos do Karatedō e a progressão desejada com relação as atividades desenvolvidas no Clube, na Academia, no Dōjō, etc...

A aula não é um curso isolado, sempre deve manter justa relação com o treinamento anterior, com o ambiente, com a época do ano... e contar com uma boa margem de improvisação devido a presença de alunos novos, alunos que precisam atenção especial, diferença nas graduações, etc...

Um bom professor nunca fará nenhum de seus alunos sentir-se ridicularizado durante os treinamentos exigindo deles técnicas que não dominam ou fazendo perguntas sobre assuntos que não tenha explicado anteriormente, porém deve sempre incentivá-los a treinar com convicção, estudar sobre a história, a filosofia, o vocabulário da arte, entre tantas outras coisas.

O professor deve ser exigente consigo mesmo não se permitindo o luxo de não saber algo... embora tenha consciência de que sempre há algo novo a aprender. Aos olhos do aluno deve parecer um exemplo [...]. 

Um bom professor deve ter discernimento para [...] nunca mudar a forma de ensinar o Karatedō, perdendo sua essência ou filosofia, simplesmente para ter um número maior de alunos visando que com isso ficar no final de cada mês com os bolsos cheios. 

Gōgen Yamaguchi, Jūdan (10º nível), enfatizava o Karatedō como ferramenta educacional, para ele o mais importante é o ser humano e sua estabilidade, afirmando que esta podia ser adquirida através da filosofia do Karatedō.


COM O ALUNO E NÃO CONTRA ELE...

Todo professor precisa ter o cuidado, ou melhor o dever, de não deixar se perder a disciplina e a etiqueta tradicional do Karatedō que há muito foi instituída pelos mestres, nunca confundindo modernidade com falta de disciplina.

Sem dúvidas, ligeiras piadas, amabilidade, etc... ajudam para que o aluno que geralmente já tenha “sofrido” com 8 horas de trabalho antes de vir para o Dōjō, desfrute, aprenda e se desenvolva de maneira natural, progressiva e voluntária. Temos sempre que estar com o aluno e não, como acontece em alguns casos, contra ele. Trata-se de administrar a aula, não de “mandar” nela. O verdadeiro espírito do Budō não se perde por isso, dentro de um certo limite é claro, pois o Caminho Marcial quando é verdadeiro e profundo se adapta as circunstâncias de cada indivíduo e portanto, de cada professor.

No entanto, o professor também deve saber acabar com a confiança excessiva que pode prejudicar o desenvolvimento da aula. Pode ocorrer, como diz o velho ditado popular, que “dando a mão, lhe tomem o braço” e isto pode acarretar situações pouco desejáveis que obrigue o professor a retirar inclusive a mão [...].

[...] Às vezes, alguns professores gostam que seus alunos passem uma temporada com outros professores, incentivando-os a praticar em outros Dōjō e inclusive outras modalidades ou estilos para que depois valorizem e vejam a diferença de tratamento que existem entre muitos.

Explicações, palestras, vídeos... são organizados e expostos com o objetivo de agradar e completar a informação [...].

[...] O certo é que faça o que fizer, o professor nunca vai conseguir agradar a todos [...].

É inegável que as aulas de Karatedō devem funcionar com uma importante dose de disciplina, como corresponde a qualquer arte marcial estruturada, bem direcionada e com diferentes categorias. A disciplina ajuda no progresso e impede que a aula chegue a ser um “caos”. Todo o protocolo, saudações, reverências, autorização para entrar ou sair do Tatami... ajudam o desenvolvimento mental através do respeito, da humildade [...]. 

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Referências:

HERRAIZ, Salvador. Profesor de Karate: um labor difícil. Disponível em: <http://www.galeon.com/jlgarcia/profesor.htm>. Acesso em: Julho de 2006.

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