Conversando sobre artes marciais japonesas - Parte 3

Olá!

(^_^)

Conforme me comprometi, hoje apresentarei o Sistema Hepburn de romanização e os Kana.

No entanto, antes de entrar especificamente no tema "romanização", acredito que seja importante saber o que são Kanji, Kana e Rōmaji.

Bom... até o Século V o Japão não tinha qualquer sistema de escrita. Sendo assim, "importou" um sistema da China... conhecido como Kanji, ou 漢字, em japonês.

Separadamente, cada um dos ideogramas significa:
  • 漢  Kan [かん] (can) - "China";
  • 字  Ji [じ] (dji) - "caracteres".
Portanto, a palavra quer dizer:
  • 漢字 Kanji [かんじ] (can-dji) - "caracteres da China", "caracteres chineses".
Depois de utilizar os caracteres chineses, na realidade um conjunto específico chamado Man'yōgana, os japoneses criaram dois outros tipos de escrita: o Katakana e o Hiragana que são conhecidos como Kana. O Katakana é o silabário formado por pedaços de Kanji e o Hiragana é a forma cursiva dos ideogramas.

Alguém deve perguntar a esta altura: "O que é um ideograma?"
“Sinal que exprime diretamente uma ideia, como os algarismos, que não representam letra nem som.” (http://michaelis.uol.com.br/) 
“Sinal que exprime a ideia e não os sons da palavra que representa essa ideia.” (http://www.dicionarioinformal.com.br) 
“Sinal gráfico que não exprime nem letra nem som, mas apenas uma ideia.” (http://www.infopedia.pt/) 
“Sinal que exprime a ideia e não os sons da palavra que representa essa ideia (...).”(http://www.dicio.com.br/) 
“Sinal que não exprime som nem articulação, mas ideias.” (http://www.priberam.pt/) 
“Sinal gráfico, símbolo não fonético, que representa um objeto ou exprime uma ideia, e não os sons da palavra (...). Sinal que exprime diretamente a ideia (...).”(http://www.aulete.com.br/)  
“Um símbolo gráfico utilizado para representar uma palavra ou conceito abstrato”. (http://estudamosonline.blogspot.com.br/)
Conhecendo a definição de "ideograma" se chega a conclusão de que é um sinal que exprime uma ideia ou conceito abstrato... e que não exprime nem letra nem som.

Mais uma pergunta: "O que é um Sistema de Romanização?"
“Sistema de Romanização é o método padrão de transliteração japonesa (escrever com um sistema de caracteres) (...) projetado para transcrever os sons do Nihongo (Língua Japonesa) para o Alfabeto Romano. 
Hoje, existem diferentes Sistema de Romanização em uso, incluindo os sistemas Nippon, Kunrei e Hepburn. 
O Sistema Hepburn (Hebon-shiki) foi criado por James Curtis Hepburn (1815-1911), um missionário americano da Filadélfia, que chegou no Japão em 1859 e compilou o primeiro dicionário moderno japonês-inglês, publicado em 1867. Este sistema foi, posteriormente, revisado e chamado de Shūsei Hebon-shiki, versão que algumas vezes é chamada de Hyōjun-shiki. O Hepburn é agora o mais amplamente usado Sistema de Romanização.  
O Sistema Nippon (Nippon-shiki) foi a criação de Tanakadate Aikitsu e foi usado pela primeira vez em 1881 (...). O Nippon-shiki é provavelmente o menos usado dos três sistemas principais. Foi originalmente inventado como um método para os japoneses escreverem a sua própria língua. Segue a fonética japonesa e a ordem silábica rigidamente e é, portanto, o único sistema de romanização que permite a transcrição literal (sem perdas) de e para Kana. 
O Sistema Kunrei (Kunrei-shiki / Monbushō = Sistema do Ministério de Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão) foi promulgado pelo governo japonês, durante a década de 30. Uma versão revisada foi publicada em 1954. O Kunrei-shiki é uma versão do Nippon-shiki ligeiramente alterada que elimina as diferenças entre a grafia do Kana e a pronúncia moderna.” (http://www.acbj.com.br)
A transcrição fonética das palavras japonesas que constam neste Blog segue o Sistema Hepburn de Romanização. 

A versão revisada do Sistema Hepburn de Romanização utiliza o acento mácron[1], uma barra horizontal sobre as vogais, que indica o alongamento desta vogal. A única exceção é o alongamento do "i" que é grafado com duplo "ii".

Consoantes dobradas são pronunciadas como se houvesse uma pequena pausa, como um hífen no meio da palavra. Algumas exceções se dão no caso de "ch" que é lido como "tch" e "sh" que é lido como "x".

O ditongo "ei" é pronunciado "ee".

O símbolo de nasalação "un"[2] ("m" ou "n" em português) é sempre grafado "n". 

Uma apóstrofe após um símbolo de nasalação ("n") seguido de vogal ou "y" separa as sílabas.

Deixo aqui tabelas com o Sistema Hepburn e seus respectivos sons:



Nota 1: “S” tem sempre som de “S”, não muda no meio de vogais como em português.

Nota 2: Todo “H” tem som aspirado ou som de “RR”.

Nota 3: Todo “R” tem som brando, como em KaRAte.

Nota 4: “UN” é som nasal, equivale ao “N” ou “M” em português.



Nota 1: O “GA” inicial é nasal.



Nota 1: Todo “H” tem som aspirado ou som de “RR”.

Nota 2: Todo “R” tem som brando, como em KaRAte.


Um último comentário...

Cuidado! O Rōmaji é um inimigo!

Se você costuma usar o Rōmaji, alfabeto romano ou latino, para suas pesquisas a respeito de termos japoneses tenha muito cuidado. O principal motivo são as palavras homônimas (palavras que possuem a mesma grafia e a mesma pronúncia) e homófonas (palavras que têm a mesma pronúncia mas que diferem na maneira como se escrevem e no seu significado), existem milhares delas na Língua Japonesa.

Sendo assim, quando deparar-se um com uma palavra japonesa, em Rōmaji, o primeiro pensamento deve ser “Com qual ou quais Kanji se escreve esta palavra?”... isso irá minimizar muito os erros de aprendizado, assimilação e transmissão de conceitos e traduções.

Denis Andretta
Porto Alegre/RS
29 de janeiro de 2018
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Notas:

[1] Mácron [μακρός] ou macro [μακρός], do grego, makros, significa "grande" e é um sinal diacrítico ( ¯ ) colocado sobre uma vogal originalmente para indicar que esta vogal é longa. Exemplo: ā (= aa), ē (= ee), ō (= oo), ū (= uu). 

[2] De acordo com o sistema de romanização Hepburn, este caractere é expresso com um "n" com til ("ñ"). Contudo, uma vez que este til (~) não faz diferença na pronúncia é mais prático omiti-lo.

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