Dicas de Ishimi Inoue para melhorar seu Karate

Menor quantidade (de treinos), maior qualidade (nos treinos). 
  • O entendimento do todo está no detalhe. 
  • Melhorar uma pequena coisa faz melhorar muitas coisas. 
Karate é de 99% sentimento. 

Não relaxe os joelhos ao caminhar ou girar. Em vez disso, relaxe os quadris. 
  • Não subir o quadril para deslocar. 
  • Deve haver um trabalho conjunto entre quadril e joelhos. 
  • Deve-se “cair” na base. 
  • Não tirar o pé do chão ao descolar. 
Seu estilo de Karate não importa, os princípios universais de movimentos são os mesmos em todos os estilos. 

Os Kata são como ir de uma pose para outra de forma eficaz. 

KIME é a soma de equilíbrio, velocidade e tempo. 
  • Não fazer barulho com a boca. 
Defesa pessoal é luta de vida ou morte. 
  • Não há árbitros, não há regras, não há combinações. 
  • Socos, agarrões, etc... não seguem a lógica do Karate. 
Você pode dar desculpas, ou pode fazer progresso. 
  • Não se pode fazer as duas coisas. 
Karate ni sente nashi. (No Karate não existe atitude ofensiva) 
Existem aqueles que interpretam esta frase como se quando estivermos em combate nunca devemos atacar primeiro, porém acredito que esta interpretação está errada. De acordo com o espírito do Budō, o Karate não deve ser utilizado para abusar dos outros. Treinamos nosso corpo e nossa mente, por consequência, acredito que o verdadeiro significado desta frase é que nunca devemos abusar de nossa superioridade física e técnica. Contudo, no momento em que não pudermos evitar e já estivermos em combate, quando o inimigo tenta nos atacar, devemos antecipar a sua ação com o objetivo de impedi-la. A conclusão a que chego é que em combate devemos ter iniciativa, porém nunca devemos iniciar uma briga.” (Motobu apud Iwai, 2003, pág. 43 e 44)

Entrevista com Kenzō Mabuni

Kenzō Mabuni
1. Quando teu pai começou a praticar Karate? Quando tinha 13 anos. 

2. Quem foram seus professores? Itosu Sensei e Higaonna Sensei de forma principal, no entanto treinou com muitos outros mestres. 

3. Teu pai havia estado no Japão antes de se mudarem para lá? Sim, ele foi para Ōsaka para procurar uma casa, depois que achou nos mudamos para o Japão. 

4. Quando se mudaram para o Japão? Em 1929, por volta de Abril, logo depois do meu aniversário de 2 anos. 

5. Por que deixaram Okinawa? Meu pai mudou-se para o Japão com o objetivo de ensinar Karate. 

6. Você sabe a data exata que seu pai formalizou o Shitōryū e por quê? Sei que utilizou os Kanji dos nomes de seus professores (Shi) Itosu e (Tō) Higaonna para formalizar o nome do estilo, a data exata não sei, mas foi em algum momento depois de 1925. 

7. O Shitōryū inclui os Kata do Shurite, Nahate, Tomarite e do boxe chinês estilo Garça Branca? Sim, meu pai ensinava estes Kata. Os Kata de Itosu Sensei enfatizam a velocidade, os Kata de Higaonna Sensei tratam do poder (força), os outros Kata vêm de Taiwan e da China. 

8. Que influência Gogenki tinha sobre seu pai? Meu gostava de estudar todas as artes marciais, Gogenki vivia em Okinawa vindo da China ou Taiwan e era mestre de Kenpō, meu pai aprendeu o Kata Nipaipo com ele. 

9. Os Kata de Itosu são diferentes dos Kata de Higaonna? Sim, são diferentes, Itosu enfatiza a velocidade enquanto Higaonna enfatiza a força, notam-se muitas diferenças. 

10. É assim também no Shōtōkan? Todo o Karate vem de uma única fonte, os pioneiros desta arte marcial se basearam nas velhas formas para criar as novas. 

11. Qual era tua impressão sobre os mestres dessa época? Funakoshi era como meu avô (vivia em Tōkyō), Miyagi era como meu tio (vivia em Okinawa) e era apenas um ano mais velho que meu pai, por isso lhe chamava de tio. 

12. Como era a relação entre Miyagi e seu pai? Ambos eram estudantes de Higaonna Sensei em Okinawa e se chamavam de Kyodai (estudantes irmãos). Quando moravam em Okinawa estavam sempre juntos, depois da morte de Higaonna Sensei, meu pai se mudou para o Japão para fazer seu sonho realidade. Miyagi Sensei permaneceu em Okinawa, logo veio a Ōsaka e ficou conosco. Meu pai lhe falou sobre promover o Karate, um dia disse a meu pai que havia criado um novo Kata, meu pai elogiou sua criação, o Kata era o Tenshō. 

13. Teu pai ensinou a Funakoshi Sensei? Ensinar é uma palavra errada, treinavam e estudavam juntos. 

14. Funakoshi vinha visitar seu pai? Sim. Ele vinha a Ōsaka e meu pai ia a Tōkyō, ambos eram de Okinawa e se visitavam mutuamente. Meu pai era muito mais jovem e respeitava muito a Funakoshi Sensei, acredito que foi assim que nasceu o Shōtōkan. 

15. Quando Funakoshi Sensei vinha visitar seu pai, estava sozinho? No começo sim, porém conforme foi envelhecendo começou a trazer instrutores com ele. 

16. Pode me falar algo sobre Higaonna Sensei? A única coisa que posso dizer é o que meu pai contava sobre ele: Higaonna Sensei viajava muito para a China, devido seus negócios, aprendeu Karate lá e depois ensinou em Okinawa. 

17. Ensina hoje exatamente o mesmo que seu pai ensinava no Shitōryū? Sim, claro. Meu pai morreu há 40 anos, mas minha memória segue bastante clara, recordo suas técnicas. 

18. Tenho entendido que tua mãe trabalha para ajudá-lo em sua tarefa. Sim. Ela e eu trabalhamos para tentar o reconhecimento de meu pai, entendo como ela se sentiria, a sua maneira era uma grande mulher e também merece reconhecimento. 

19. Em sua opinião, o que é verdadeiro significado do Karate? Treinar todos os dias da vida. Deves praticar o que acredita e acreditar no que pratica. 

20. Acompanha o crescimento do Karate faz 60 anos, o que acha dos novos instrutores e praticantes? Nos Estados Unidos os praticantes tem muito poder, porém devem aprender a base de maneira correta. Depois a técnica crescerá e então se converterão em bons Karateka, se são ensinados de maneira correta tem o potencial para converterem-se em uma classe mundial. 

21. Estão fazendo um grande esforço para que o Karate seja introduzido nos Jogos Olímpicos, acredita que isso mudará o foco geral do treinamento? Pessoalmente, não me importa o Karate esportivo, provavelmente o fazem bem, porém no verdadeiro Karate se treina para toda a vida e não para ganhar uma competição específica como os jogos Olímpicos, quero que sigam treinando inclusive depois da competição, isto está certo, sempre que respeitem e os instrutores ensinem da maneira correta. 

22. Quantos Kata tem no Shitōryū? São 62 Kata, porém há certos Kata que meu pai não ensinava, acho que iria tornar públicas estas formas, mas não teve tempo. Há Kata que ele nunca publicou, não sei se os ensinou a alguém. 

23. Comparado a outros estilos de Karate, porque o Shitōryū tem tantos Kata? O Shitōryū abarca os Kata de Itosu, Higaonna e de outros mestres mais, por isso temos mais Kata. 

24. Teu pai criou alguns Kata… pode me falar sobre isso? Ele era devoto do Karate e quis fazer seus próprios Kata deixando uma herança para as próximas gerações. 

25. Quais foram os Kata criados por seu pai? Se contar os que criou e nunca ensinou publicamente foram muitos, no entanto ensinou apenas 6: Jūroku, Shihō-Kōsōkun, Matsukaze, Aoyanagi, Shinsei e Myōshō. 

26. Pode falar um pouco sobre sua mãe? Entendemos que era uma mulher de forte caráter, como influenciou na vida de seu pai? Ela dedicou toda sua vida a meu pai, com sua ajuda ele se tornou proeminente, ela era uma grande mulher. 

27. Como ajudou a escolher a profissão de seu pai? Ela entendia a honestidade de meu pai e por isso o ajudou a cumprir seu objetivo. 

28. Por favor, conte-nos de como sua mãe ajudava teu pai quando estava chovendo? De manhã cedo quando ele chagava da caminhada ia treinar na Makiwara e minha mãe ficava atrás dele com uma sobrinha para que ele não se molhasse. 

29. Qual é a visão que tens do Shitōryū que teu pai criou em nossos dias? Algumas coisas são diferentes do original, os nomes, as posições e outras técnicas, por exemplo. Acho que existem alguns instrutores que aprendem apenas um pouco de Karate e então passam a ensinar, deveriam aprender bem primeiro e estar qualificados para depois começar a ensinar, aqueles que treinam com estes instrutores estão perdendo seu tempo. 

30. Todas as linhas de Shitōryū que existem hoje em dia são descendentes de teu pai? Não. Algumas delas não tem conexão com o Shitōryū de meu pai, tratam de ensiná-lo como se tivesse, porém não é assim, esta gente aprende por livros, vídeos e logo dizem que tem algo a ver conosco. 

31. Qual o conselho para qualquer instrutor que queira ensinar Karate hoje? Não aprendam apenas o movimento do Kata, pois a prática básica lhe dá o significado, quero que treinem cada pequeno detalhe e aplicações. 

32. Que conselho dá aos estudantes? Não penas copiar, mas sim entender e repetir o que lhes é ensinado passo a passo, uma coisa de cada vez, essa é forma de aprender Karate. 

33. Desde que se tornou herdeiro de teu pai, como tem visto o crescimento até o momento? Estou aqui graças a meu pai, devo isso a ele, estou fazendo o melhor que posso para expressar o Karate, esse que Funakoshi Sensei, Miyagi Sensei e meu pai nos deixaram. 

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Nota: Entrevista realizada em 1994, no vídeo "A ilha do Budô".

II Exame de Graduação Oficial de 2018

Foi realizado no dia 24 de novembro de 2018, nas de pendências da Corpore Centrum Academia, o “II Exame de Graduação Oficial de 2018” da Associação Gaúcha de Karatedō Shitōryū. 

O evento contou com a participação de praticantes de Karatedō Shitōryū de duas localidades distintas, Escola Rainha do Brasil e Corpore Centrum Academia. 

Neste Exame de Graduação, foram 14 alunos avaliados ao total, com uma média entre quatro meses e quatro anos de prática, que foram acompanhados por mães, pais, avós, familiares, amigos e responsáveis em geral. 

Além do público presente estavam no evento o Sensei Denis Andretta, avaliador, e o Sensei Rafael Ilhescas, responsável pelos alunos. 

O exame de graduação iniciou por volta das 15h. A estrutura de exame foi dividida em provas teóricas escritas, Kihon, Kata, Kumite e cerimonial de entrega de certificados e faixas. 

Depois das avaliações, os seguintes alunos foram aprovados: 

Faixa Azul - 3º Kyū 
  • Felipe dos Santos Vilella 
Faixa Verde - 4º Kyū 
  • Pedro Cardoso Francisco Ayres 
  • Vicente Telles Santana 
Faixa Laranja - 5º Kyū 
  • Bernardo Cardoso Alves 
  • Isadora Aquino Borges 
  • João Vitor Lorenzoni Nunez 
  • Júlia Ribas de Uzêda Pinto 
  • Luiz Betat 
  • Pedro Leão Cigana 
Faixa Amarela - 6º Kyū 
  • Dhionatan D'Avila Brito Capelão 
  • Isabela Cardoso Alves 
  • João Vitor Kugland Sanches da Silva 
  • Leonardo Fedatto de Oliveira 
  • Matheus Machado dos Santos 
Todos os alunos demonstraram um mínimo necessário para a graduação almejada. 

A próxima edição do “Exame de Graduação Oficial” da Associação Gaúcha de Karatedō Shitōryū será no primeiro semestre de 2019, e contará com a presença de todos os alunos que estiverem em condições de passar para a próxima etapa. 
Esta etapa de trabalho encerrou o segundo semestre de atividades da Associação Gaúcha de Karatedō Shitōryū. O exame de graduação contou com a adesão da maioria dos alunos em atividades e com a agradável participação dos familiares e amigos dos alunos. Acreditamos ser importante esta aproximação Karate/Família. O Sensei Rafael Ilhescas está de parabéns pelo trabalho desenvolvido com as crianças. O trabalho segue!”. (ANDRETTA, Denis) 
Atenciosamente, 
Associação Gaúcha de Karatedō Shitōryū.

Conversando sobre artes marciais japonesas - Parte 10

Olá!

(^_^) 

Tarefas do dia a dia em grande quantidade... então não estou conseguindo fazer as postagens da forma que queria... 

Mas “não tá morto que peleia” (ditado gaúcho). 

Via das Mãos Vazias, Vias Marciais Antigas, Via Para a Unidade do Ser... são Vias Marciais... são Dō... e, por sua vez, são modos de vida diferentes, do ponto de vista organizacional e técnico, que têm o mesmo fim: “criar um cidadão/cidadã útil a sociedade” em que está inserido. 

Simples assim... sem mística, sem transcendência, sem tretas! 

Os estilos (Ryū), os grupos (Ha), as escolas (Kan) e as associações (Kai) têm a função de levar a cabo esta missão... 

Entendendo os objetivos e as formas de trabalho que são utilizadas para a sua concretização, precisamos compreender que em se tratando de artes marciais japonesas é importante conhecer conceitos, pois eles explicam a forma de pensar da sociedade japonesa e deixam claros os graus de importância que as coisas devem ter... 

Para falar neste tema, decidi começar com alguns conceitos sobre os quais muita gente fala... mas que pouca gente entende, de fato. 

Então... vamos, lá! 

Começo com “Bunbu-ichi”... que trata da “literatura” e do “militarismo” como sendo elementos complementares e que é um conceito muito comum dentro das artes marciais japonesas. 

Para as “escolas de guerra”, a expressão Bunbu-ichi era dividida da seguinte maneira: 
  • 文 [ぶん] BUN (bún) – Literatura; 
  • 武 [ぶ]  BU (bú) – Militar, bélico, marcial; 
  • 一 [いち] ICHI (itchi)– O número um. 
Buscando um sentido próximo ao literal, Bunbu-ichi pode significar: 
  • “Literatura e Militarismo são como uma única coisa”. 
  • “Literatura e Belicismo são como uma única coisa”. 
  • “Literatura e Marcialidade são como uma única coisa”. 
Contudo, a ideia por trás desta expressão é: 
“A teoria e a prática devem ser feitas na mesma proporção.” (GOULART, 2011) [...] A teoria do combate, deve ser tão importante quanto à prática do combate.” Ou seja, “estudar a arte” é tão importante quanto “praticar a arte” […]” (GOULART, 2006) 
Antigamente, nas escolas de artes marciais japonesas, era costume ter quadros pendurados nas paredes do Dōjō[1] com o conceito Bunbu-ichi inscritos, lembrando a necessidade desta união. 

Para que se entenda a importância que este tema representa dentro do Budō[2] postarei alguns trechos do texto escrito pelos Hanshi[3] Ōgata Taketora e Hamada Teshin, membros da Dai Nippon Butoku-kai[4], que foi gentilmente traduzido e enviado para mim por Joséverson Goulart[5]
“É dito há muito tempo que a pena e a espada são como as duas rodas de uma carroça e as duas asas de um pássaro. Consequentemente, elas pertencem a um único conceito de virtude universal e são naturalmente inseparáveis.  
[...] A “pena” são os meios através dos quais as pessoas governam-se a si mesmas de forma pacífica e através dos quais as pessoas cultivam e nutrem as cinco principais virtudes: benevolência, dever, lealdade, piedade filial e amor.  
A “espada”, por outro lado, são os meios através dos quais as pessoas defendem e restauram tais virtudes quando julgarem que isso é inevitável. 
[...] “A pena e a espada” são fundamentalmente os mesmos ideais filosóficos que estão em dependência direta um do outro.  
Esperamos que as pessoas que seguem o Budō desenvolvam e cultivem os seus próprios caráteres e contribuam de forma decisiva para a educação moral das suas nações”.  
É inegável que vemos na história humana o abandono da “pena” e a má utilização e exploração da “espada”. Manter “a pena e a espada” como uma virtude inseparável para a criação de uma grande sociedade pacífica é indispensável e vital para as gerações futuras” (ŌGATA; HAMADA). 
Analisemos, por partes, o que dizem os mestres japoneses, Ōgata Taketora e Hamada Teshin, substituindo as palavras “pena” por “teoria” e o termo “espada” por “prática”, pois é disso que eles estão falando... 
“[...] A “teoria” e a “prática” são como as duas rodas de uma carroça”, “[...] a “teoria” e a “prática” são como [...] as duas asas de um pássaro”. [...] Pertencem a um único conceito [...] e são [...] inseparáveis”. 
Não precisa ser um Albert Einstein para saber que uma carroça não anda com uma só roda e que um pássaro não voa com uma só asa, por isso quem separa teoria e prática impossibilita o avanço do conhecimento. 
“[...] A “teoria” são os meios através dos quais as pessoas governam-se a si mesmas [...] A “teoria” são os meios através dos quais as pessoas [...] cultivam e nutrem as [...] virtudes: benevolência, dever, lealdade, piedade filial e amor." 
Seguem afirmando que a teoria, que o estudo, que a literatura fornece meios para que a pessoa possa governar a si mesma. Que a teoria, que o estudo, que a literatura são as fontes das quais se tira o “alimento” para nutrir as virtudes. Mencionam as cinco principais virtudes, porém há muitas outras que podem e devem ser cultivadas. 
“A “prática” [...] são os meios através dos quais as pessoas defendem e restauram [...] virtudes [...].” 
A prática está explicita através das técnicas existentes dentro dos diversos métodos de combate, meios estes que somente se justificam se estiverem a favor da justiça e do restabelecimento das virtudes, fato que não é nenhuma novidade para os Karatedōka[6], pois há muito tempo o mestre Gichin Funakoshi[7] afirma que o “Karatedō é um assistente da justiça”. 
“[...] A teoria e a prática” são [...] ideais filosóficos [...] estão em dependência direta um do outro.” 
A mensagem é clara... teoria e prática são interdependentes. Porém, aqui acredito ser necessário retomar um conceito que se encontra desgastado em nossos dias... a palavra "filosofia". 
“Do grego “philosophia”, que significa “amor pelo conhecimento” ou “gosto pela sabedoria”.  
[...] A palavra filosofia chegou através do latim “philosophia”, que se originou a partir do termo grego homônimo, formado pela junção das palavras “philein”, que significa “gostar muito” ou “amar; e “sophis”, que quer dizer “sábio” ou “o que estuda”.  
Os gregos antigos usavam a palavra “philos” como sinônimo de "gostar de algo", "sentir atração por algo", "nutrir amizade ou amor por alguma coisa". [...] “Sophia”, por sua vez, quer dizer “o conhecimento”, “a sabedoria”.  
Portanto, filosofar é amar e buscar todas as formas de sabedoria e conhecimento.” (http://www.dicionarioetimologico.com.br/filosofia/
Sendo assim, quando dizem que a teoria e a prática são “ideais filosóficos” estão dizendo que são meios para a busca da sabedoria, formas para que seja possível aproximar-se da perfeição humana. 
“Esperamos que as pessoas [...] desenvolvam e cultivem os seus [...] caráteres e contribuam [...] para a educação moral das suas nações.” 
Destacam, ainda, que a principal característica que deve apresentar um artista marcial é a busca da formação do caráter. E para que esta ênfase no desenvolvimento do caráter? Para que o praticante se torne uma pessoa de moral que possa contribuir com sua sociedade. 
“É inegável que vemos na história humana o abandono da “teoria” e a má utilização e exploração da “prática”. Manter “a teoria e a prática” como uma virtude inseparável [...] é indispensável e vital [...].” 
Para finalizar, os mestres afirmam ter consciência de existem alguns que deixam de lado as questões teóricas e que, da mesma forma, há aqueles que usam a prática de forma errada, inclusive para explorar os demais e, justamente por isso, voltam a afirmar que manter teoria e prática unidas é algo muito importante. 

Usei aqui as palavras de dois membros da Dai Nippon Butoku-kai para fazermos uma reflexão sobre a necessidade de dar o mesmo peso, a mesma medida para teoria e prática. Contudo, em nível de transmissão dos conhecimentos marciais japoneses antigos, há tantas formas de dizer a mesma coisa que tais ensinamentos deveriam estar tão ligados às nossas vidas como o próprio ato de respirar. 

Eis alguns exemplos onde isso ocorre: 

文武一道 BUNBU ICHIDŌ [ぶんぶいちどう] 
“As artes literárias e as artes marciais: um único caminho”. 

文武一徳 BUNBU ITTOKU [ぶんぶいっとく] 
“As artes literárias e as artes marciais: uma única virtude”. 

文武一致 BUNBU ITCHI [ぶんぶいっち] 
“As artes literárias e as artes marciais de forma consistente”. 

文武之道 BUNBU NO MICHI [ぶんぶのみち] 
“A via das artes literárias e das artes marciais”. 

文武両道 BUNBU RYŌDŌ [ぶんぶりょうどう] 
“Ambos os caminhos: as artes literárias e as artes marciais”. 

文武不岐 BUNBU FUKI [ぶんぶふき] 
“As artes literárias e as artes marciais são inseparáveis”. 

文武併進 BUNBU HEISHIN [ぶんぶへいしん] 
“As artes literárias e as artes marciais avançam juntas”. 

文武神聖 BUNBU SHINSEI [ぶんぶしんせい]
“As artes literárias e as artes marciais são sagradas”. 

武練文修 BUREN BUNSHŪ [ぶれんぶんしゅう]
“Treinar as artes marciais e estudar as artes literárias”. 

経文緯武 KYŌMON IBU [きょうもんいぶ] 
“As artes literárias são a longitude e as artes militares são a latitude”. 

Estas, entre tantas outras expressões (e são mesmo muitas), indicam a mesmíssima coisa… e são apenas resumos para relembrar o que há muito já foi, é e será dito a nível realmente tradicional... quer gostem ou não, quer aceitem ou não, quer acreditem ou não... os instrutores, os professores e os mestres modernos. 

Dia após dia, mês após mês, ano após ano, bate-se na mesma tecla... mas, para alguns, mesmo com esta insistência descrita nos clássicos militares, há coisas que são convenientemente omitidas. 
“Infelizmente, no ensino marcial contemporâneo, existem instrutores que afirmam que “estudar Karatedō[8] não importa, o que importa é combater”. O que estes instrutores não veem é o óbvio diante dos seus narizes.  
Se tradicionalmente a teoria e a prática devem ser treinadas como se fosse uma única coisa, então, o instrutor que só está interessado na parte prática do Karatedō só sabe 50% do que deveria ser a totalidade da arte. E se não sabe 100% de uma matéria que se propõe a ensinar, está de fato em posição de “ensinar”? 
Honestamente? Não! Porque, dado o alcance do seu conhecimento, não é capaz de responder ou tem poder de argumentação diante de questões literárias a respeito da arte que, como instrutor, deveria dominar a 100%. 
Assim, para felicidade de determinados instrutores, onde só se justifica a prática do Karatedō e o “estudo” da arte está fora de questão, conceitos teóricos como “Bunbu-ichi” não foram muito difundidos aqui no ocidente; razão pela qual estes mesmos instrutores ainda podem dizer coisas incoerentes tal como: “Karatedō só tem a ver com suar o Karatedōgi[9]….” (GOULART; 2011) 
Dentro das artes marciais, a teoria e a prática deveriam ser inseparáveis, pois quando falta um deles o treinamento é sempre parcial. A teoria, além de transmitir os conceitos corretos, está relacionada às questões internas do ser humano através do conhecimento, do sentimento e da prática das virtudes. 

Trabalhar na formação de um indivíduo com um caráter sadio que, através de seus pensamentos, seus sentimentos e suas ações, possam gerar benefícios para toda a sociedade… este é o objetivo primordial dos Budō… simples assim! 
“Muitas vezes, ao ver o estado das coisas no mundo das artes marciais japonesas em geral, pergunta-se de que adianta o esforço dos mestres antigos japoneses em insistir na transmissão de que «o “treino” é tão importante quanto o “estudo”», quando é visível que a esmagadora maioria dos instrutores, de todas as graduações e artes marciais, ignoram tal ensinamento.  
Sem tentar “tapar o sol com a peneira”, continua-se a achar que o “treino” é mais importante do que o “estudo”. E quais seriam os motivos para essa má interpretação das artes marciais japonesas?  
[...] Não adianta criticar quem segue o que os mestres japoneses dos tempos antigos deixaram como legado… deve-se seguir os seus ensinamentos, tanto técnicos como morais e, desta forma, contribuir para o fortalecimento ético da arte que se pratica, seja ela qual for...  
A isso, ao treino e estudo como uma única coisa, chama-se Budō!” (GOULART, 2011) 
Em um mundo marcial aonde muito se pratica e pouco se estuda (ou mesmo não se estuda)… aonde vemos distorções, negligências, comércio, etc… será que se pode falar em Budō? 

Acredito que antes de se conseguir cumprir o mais simples e básico dos conceitos que este termo abarca... que é a união entre a prática e a teoria... nem mesmo deve ser mencionado o termo Budō, sob o risco de se parecer desonesto... mentiroso. 

Para encerrar de vez a questão, e reforçar tudo que foi dito até aqui, vou recordar um dos 20 ensinamentos do mestre Gichin Funakoshi, descrito no Nijūkun[10]. Menciono tal instrução porque é bem capaz que surja alguém para dizer que tais coisas não se aplicam ao Karatedō: 
“一、常に思念工夫せよ。
Hitotsu, Tsune ni shinen kufū seyo.
Importante! Estudar, praticar e aperfeiçoar-se sempre.” 
Denis Andretta 
Porto Alegre/RS 
20 de novembro de 2018 

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Notas:

[1] Dōjō [道場] - Lugar (onde se pratica o) Caminho. 
[2] Budō [武道] - Via ou caminho marcial, militar. 
[3] Hanshi [範師] – Os ideogramas literalmente significam: “exemplo/modelo + mestre/perito/professor”, somando-se estas ideias, fica-se com a noção de algo como “mestre”. 
[4] Dai Nippon Butoku-kai [大日本武徳会] - Associação das virtudes marciais do grande Japão. 
[5] Para conhecer o trabalho realizado pelo Sr. Joséverson Goulart pode visitar o Blog: http://jojimonogatari.blogspot.com/
[6] Karatedōka [空手道家] – Especialista em Karatedō. 
[7] Gichin Funakoshi [義珍船越] - *10/11/1868 – †26/04/1957, mestre de Karatedō, nascido em Shuri, Okinawa, fundador da escola Shōtōkan. 
[8] Karatedō [空手道] – Via, Caminho das Mãos Vazias. 
[9] Karatedōgi [空手道衣] – Roupa para o Karatedō. 
[10] Nijūkun [二十訓] – As vinte instruções (de Gichin Funakoshi).

O Karatedō é composto por “prática” e “teoria”...

Quando alguém inicia o treinamento de Karatedō[1] se depara com um mundo novo… com uma nova sociedade.

Nesta nova comunidade, existem regras pré-estabelecidas para que haja ordem, organização, boa convivência e respeito entre todos os membros que ali estão. Tais regras são válidas para todos os que frequentam o dōjō[2], seja ele um iniciante, um aluno avançado ou um instrutor... tenha ele a faixa branca ou a faixa preta em torno da cintura.

Neste mundo novo, cheio de regras, de etiquetas e cerimoniais, os praticantes encontram algumas barreiras que devem superar, entre elas: uma cultura diferente, formalidades atípicas, etiquetas “estranhas”, respeito a hierarquia, conceitos orientais, enfim... coisas alheias ao nosso dia a dia. Porém, dentre todas as novidades apresentadas aos shoshinsha[3] (também mukyū[4]), acreditamos que o maior de todos os impactos que se tem, logo de imediato, seja o idioma.

O Karatedō, como está “configurado” hoje, foi “padronizado” no Japão e por isso está impregnado pela cultura deste povo. Sendo assim, utilizamos formalidades, cerimoniais, etiquetas, conceitos e termos ou vozes de comandos japoneses durante as aulas.

Então, para que estas barreiras sejam transpassadas, paulatinamente, fica aqui uma dica aos kōhai[5] (e aos não tão novos assim)… estudem o Karatedō. E quando falamos em estudo… não nos referimos unicamente as prática das técnicas… mencionamos “literalmente” em estudo teórico que, quando há seriedade, no que se faz deve acompanhar o desenvolvimento técnico ou prático. 

Por quê estudar? Porque, infelizmente, as questões teóricas relativas ao Karatedō são, de uma forma geral, abordadas muito superficialmente... às vezes nem mesmo são abordadas, ou pior ainda, o caso mais comum são abordadas de forma leviana... sem o comprometimento necessário.

Muito treino, muita competição, muito suar o Karatedō-gi[6]… e para tudo isso, pouca ou nenhuma fundamentação teórica. Não que treinar, competir e suar o Karatedō-gi não seja importante... ao contrário, de fato o são. A questão que se coloca é que o estudo teórico é da mesma forma tão importante e imprescindível.

É preciso, sobretudo, por parte daqueles que estão ensinando, retomar a antiga prática conhecida pelos japoneses, como Bunbu-ichi[7], ou seja, dar a mesma importância a prática e a teoria... para tentar amenizar a deficiência teórica existente especialmente nos dōjō ocidentais.

Nunca é tarde para (re)lembrar ou aprender que o “todo”, o 100%, do que conhecemos como Karatedō é composto por “prática” e “teoria”, ou seja, fica fácil entender que quando se negligencia o estudo teórico, se pratica apenas a metade, ou 50%, da arte.

Uma das principais barreiras que impedem a transmissão de conceitos corretos é o fato de que muitas pessoas preferem justificar um erro... muitas vezes com outro erro... a ter de mudar para uma forma diferente da habitual.
“Pior do que não saber é fingir que sabe.” (Mário Sérgio Cortella)
Em nossa vida como Karatedō-ka[8], assim como em nossa vida pessoal, é necessário ter humildade. Porém, em nossos dias há uma grande confusão entre humildade e subserviência.
“Humildade é diferente de subserviência. Uma pessoa subserviente é aquela que se dobra a qualquer coisa. Uma pessoa humilde é aquela que sabe que não sabe tudo, é aquela que sabe que não é a única que sabe, é aquela que sabe que o outro sabe o que ela não sabe, é aquela que sabe que ela e o outro nunca saberão tudo que pode ser sabido. [...] A humildade é a capacidade de saber que só é um bom ensinante quem for um bom aprendente. [...] Se não formos bons aprendentes, não conseguimos ser bons ensinantes [...] não conseguimos ser pessoas que atuam na área de formação de pessoas [...].” (Mário Sérgio Cortella)
Sendo assim, seja humildade... “abra sua mente”… estude, pesquise, questione e treine arduamente... o espírito, a técnica e o corpo… primeiro para aprender e, por consequência, para ter o que ensinar.

Inaugure a partir de hoje, uma "Nova Era" em sua vida... a “Era do Não Sei”... pois esta é a melhor expressão que existe para, criar inovação, reinvenção, inovação, etc.... 

Não se conforme com explicações “metafísicas” sem sentido. Se não sabe algo não tenha vergonha de perguntar, se não achou a resposta que queria não deixe de procurar. Lembre-se: “Sempre há alguém que sabe mais que você”… não importando o nível de conhecimento em que se está ou que se pensa estar. Reforçando... tenha dúvidas, pois quem não tem dúvidas torna-se prisioneiro do mesmo. 
“Gente que não tem dúvidas não inova, não cresce, não consegue ir adiante. Gente que não tem dúvidas fica tão somente com um grande passado pela frente. [...] Quem não tem dúvidas fica estacionado.” (Mário Sérgio Cortella)
Embora possa parecer algo obvio, cabe lembrar que os Sensei[9] são seres humanos, não são “deuses” ou algo semelhante. Portanto, toda a informação que for transmitida por eles pode e deve ser questionada. Embora o questionamento não seja uma ferramenta a qual sejamos motivados a usar, não há melhor forma para trazer confirmação, ou não, a respeito das informações que recebemos.

Contudo, não confunda questionar com desrespeito e, por isso, tenha o cuidado, a delicadeza, de fazer suas perguntas de forma respeitosa. Não há necessidade e não se deve “ferir” o sistema hierárquico do Karatedō.

Quando receber uma informação “x” vá às pesquisas, em diversas fontes, para confirmar ou não a veracidade da mesma... agindo desta forma, se fortalece o conhecimento e se cria bases e fundamentações para aquilo que está sendo, em um primeiro momento aprendido, e posteriormente ensinado.

Um verdadeiro Sensei aprende todo dia, com tudo e com todos, sendo assim... ficará agradecido pela correção da informação errônea, quando for o caso, e passará a ensinar de forma correta... isto é assim, porque um verdadeiro Sensei é humildade... virtude sobre a qual já falamos anteriormente.

Obviamente todo mundo precisa de referências, de pessoas que tenham tido experiências nas mais diversas áreas do comportamento humano e que através destas experiências possa ajudar no processo de formação, seja em Karatedō, seja na vida, daqueles com os quais convivem. Porém, é necessário ter a consciência e o cuidado para que não se faça destas referências, destas pessoas, um porto onde se fica ancorado, mas sim que se utilize tais fontes de experiências como raízes de onde se retira o alimento para crescer.

Uma reflexão de meu amigo Joséverson Goulart que eu gostaria de compartilhar:
“Não há a menor sombra de dúvida que os modelos de transmissão de ensinamento variaram muito em poucos anos. Conceitos que até então eram “leis fundamentais inquestionáveis” [...] foram superados por outros conceitos mais evoluídos. 
Porém, no mundo do Karatedō, parece que esta evolução ainda não se fez sentir em todas as escolas ou mestres mais antigos e o modelo de “avanço didático” ainda está a ser combatido por aqueles que se recusam a ver o óbvio na frente dos seus olhos. 
[...] Formas incorretas de transmissão mascaradas de falsas filosofias orientais não contribuem em absolutamente nada para a evolução no sentido correto do ensino do Karatedō ensinado nos dias de hoje. 
Ser “macaquinhos de imitação” não é o que se espera de um instrutor, não importando o Dan[10] que este possa ter, pois o instrutor é elemento que deve “instruir” outros seres humanos, com a responsabilidade que o cargo acarreta.
As pessoas primitivas tinham tendência à veneração daquilo ou daqueles que desconheciam, porém na sociedade atual temos fontes de pesquisa e desenvolvimento intelectual necessário para eliminar qualquer misticismo inerente às artes marciais. 
A questão que se coloca é: “Por quanto tempo isso vai ser assim para um seguimento considerável de instrutores?” 
Torna-se bastante claro que só podemos evoluir a partir do momento que temos a consciência de que podemos questionar, perguntar, procurar respostas, afastando-nos do comodismo e de desculpas […]”. O questionamento traz o estudo e a pesquisa. O estudo e a pesquisa trazem o conhecimento. 
[...] O estudo do Karatedō, ou das artes marciais num sentido geral, não é um privilégio, mas sim uma opção.” (GOULART, Joséverson)
Justificar erros, mentalidades fechadas e antiquadas, falta de estudo, falta de pesquisa, falta de questionamento, falta de prática, explicações metafísicas, endeusamento de pessoas e ou de entidades, falta de humildade, abusos de poder hierárquico, criação de falsas filosofias orientais, imitação de pessoas... enfim, comodismos em geral devem ser combatidos e banidos por todos aqueles que se dizem Karatedō-ka.

Para encerrar, uma última reflexão... 
“Há três caminhos para o fracasso: não ensinar o que se sabe, não praticar o que se ensina, e não perguntar o que se ignora.” (São Beda)
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Referências:

ANDRETTA, Denis Augusto Cordeiro. Shoshinsha. Disponível em: http://groups.google.com/group/andretta-no-kenkyushitsu;. Acesso em: 18 de Maio de 2009.

BERNARDO, Alexandre Pinheiro; at al. História da Educação Física: Karatedō. Rede Metodista de Educação do Sul (IPA). Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 2007.

GOULART, Joséverson. As fases do conhecimento. Jōji Monogatari. Disponível em: http://jojimonogatari.blogspot.com. Acesso em: 27 de Novembro de 2011.

GOULART, Joséverson. Bunbu-ichi. Disponível em: http://judoforum.com/blog/joseverson/index.php. Acesso em 20 de Novembro de 2006.

GOULART, Joséverson. Bunbu-ichi. Disponível em: http://groups.google.com/group/andretta-no-kenkyushitsu/. Acesso em: 2 de Fevereiro de 2011.

GOULART, Joséverson. Descomplicando o simples! Jōji Monogatari. Disponível em: http://jojimonogatari.blogspot.com. Acesso em: 27 de Novembro de 2011.

GOULART, Joséverson. Karatedō Nyūmon: Introdução ao Caminho das Mãos Vazias. Disponível em: http://judoforum.com/blog/joseverson/index.php. Acesso em 20 de Novembro de 2006.

GOULART, Joséverson. Kyū, Mukyū ou Shoshinsha? Jōji Monogatari. Disponível em: http://jojimonogatari.blogspot.com. Acesso em: 27 de Novembro de 2011.

GOULART, Joséverson. Requisitos de ensino. Disponível em: http://jojimonogatari.blogspot.com.br/2011/11/descomplicando-o-simples-03.html. Acesso em: 20 de Novembro de 2011.

GOULART, Joséverson. Meu mestre disse que… Disponível em: http://groups.google.com/group/andretta-no-kenkyushitsu/. Acesso em: 2 de Fevereiro de 2011.

GOULART, Joséverson. Sobre a “Faixa Branca”. Disponível em: http://judoforum.com/blog/joseverson/index.php. Acesso em 20 de Novembro de 2006.

GOULART, Joséverson. Sobre a “Faixa Branca”. Disponível em: http://groups.google.com/group/andretta-no-kenkyushitsu/. Acesso em: 14 de Julho de 2009.

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Notas:

[1] Karatedō [空手道] – Via, Caminho das Mãos Vazias. 
[2] Dōjō [道場] – Lugar (onde se pratica o) Caminho. 
[3] Shoshinsha [初心者] – Principiante, iniciante. 
[4] Mukyū [無級] – Sem grau, sem classe. 
[5] Kōhai [後輩] – Júnior, mais novo, mais recente, etc. 
[6] Karatedō-gi [空手道衣] – Roupa para o Karatedō. 
[7] Bunbu-ichi [文武一] – Literatura e militarismo são como uma única coisa. 
[8] Karatedō-ka [空手道家] – Especialista em Karatedō.
[9] Sensei [先生] – “Aquele que nasceu antes” ou “aquele que começou antes”. Também Professor, Doutor, Mestre. 
[10] Dan [段] – Grau, rank, nível. 

Esclarecendo o “mito” Shuri-te, Naha-te e Tomari-te

No final de 1926, foi organizado em Okinawa um comitê, formado pelos mestres Mabuni Kenwa, Miyagi Chōjun e Kyan Chōtoku, que ficou responsável pela preparação de uma demonstração da arte local, na época conhecida como “Ryūkyū Kenpō Tōde”, perante o mestre Kanō Jigorō, fundador do Jūdō, por ocasião de uma visita que seria realizada ao arquipélago em janeiro de 1927. 

Mabuni Kenwa                                         Miyagi Chōjun                                      Kyan Chōtoku

A visita de Kanō-sensei as ilhas tinha por finalidade palestrar sobre o Jūdō e a educação, bem como, a inauguração da primeira associação de faixas pretas de Jūdō do arquipélago (Yūdansha Shinkō-kai). O mestre Kanō era um aristocrata que tinha estreitos laços políticos com o governo japonês e com o Comitê Olímpico Internacional o que fazia de sua visita as ilhas um evento oficial e, sendo assim, o planejamento para sua visita foi cuidadosamente elaborado pelo conselho local de educação. 

Kanō Jigorō
No que tange a prática do Tōde, que tinha suas origens, influências e práticas relacionadas a China, foi necessário fazer algumas adaptações, pois neste período o sentimento anti-chinês, o nacionalismo e o militarismo eram muito fortes. Sendo assim, apresentar a arte como Tōde, ou “Técnicas chinesas”, não seria uma boa ideia e poderia desencadear hostilidades de ordem política. 

Desta forma, como Mabuni-sensei, Miyagi-sensei e Kyan-sensei, que seriam os responsáveis pela demonstração, eram oriundos das cidades de Shuri, Naha e Tomari, respectivamente, surgiu a ideia de colocar a antiga denominação da arte, “Te”, associado as cidades mencionadas. Desta forma, nascem as nomenclaturas, até então inexistentes, Shuri-te, Naha-te e Tomari-te. 

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Referências: 

MCCARTHY, Patrick. Shuri-te, Naha-te & Tomari-te - Clearing Up Another Myth. Disponível em: <http://irkrs.blogspot.com/2016/02/share-te-naha-te-tomari-te-clearing-up.html?q=mabuni>. Acesso em: 22 de agosto de 2018.